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ALEXANDRE HENRIQUES LEAL FILHO É MAIS UM GRANDE PARCEIRO DO DNA CANTANHEDE

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CANTANHEDE PODE TER SIDO FUNDADO ANTES DE 1700

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PINDOVAL GANHA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE

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PORTAL DE CANTANHEDE VOLTA A NORMALIDADE

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COMITIVA É RECEBIDA PELO PRESIDENTE DA CÂMARA DE GUIMARÃES DE PORTUGAL

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PROJETO CANTANHEDE, PATRIMÔNIO DO MUNDO – COLARES - SINTRA

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ESPECIAL: PROJETO CANTANHEDE, PATRIMÔNIO DO MUNDO DESENHA ROTEIRO PARA 2011

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COMITIVA AGRADECE PARCEIROS EM PORTUGAL

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MÁRIO FERREIRA É UM PARCEIRO DO DNA CANTANHEDE

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COMITIVA DE CANTANHEDE PARTICIPA DE CORTEJO HISTÓRICO

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ESPECIAL DE DOMINGO: O SEBASTIANISMO NA MÚSICA POPULAR DO MARANHÃO

(Rei Sebastião de Portugal)A música popular do Maranhão, enquanto fenômeno e bem cultural imaterial, pode suscitar diferentes reflexões. Desde sua natureza, suas origens, os diferentes elementos culturais que participaram de sua construção e dos que ainda participam; da sua relação com as manifestações da cultura popular, naquilo que elas influenciam no seu estilo, na sua estética; das estratégias que os músicos e agentes culturais ligados à produção musical maranhense constroem para produção e divulgação dessa música; até mesmo da sua relação com o estado, enquanto estrutura de poder. Enfim, temos um amplo espectro de investigação, reflexão e debate, ante esse fenômeno cultural, que desperta tanto interesse e que tem demandado investimentos públicos e privados de significativa monta, que é a música popular no Maranhão. No entanto, em um simples artigo como este, temos que estabelecer um recorte mais restrito, embora essas diferentes dimensões se cruzem, se relacionem de maneira complementar. Tomemos por base duas concepções. Uma de ordem conceitual, e outra de caráter histórico-conceitual. Na primeira, optamos por compreender a música popular do Maranhão, enquanto fenômeno cultural, sustentado em Thompson e seu conceito de cultura como construção de significados, que incorpora as dimensões do simbólico e dos contextos e processos sócio-históricos. “Os fenômenos culturais (...) devem ser entendidos como formas simbólicas em contextos estruturados. (...) Mas estas formas simbólicas estão também inseridas em contextos e processos sócio-históricos específicos, dentro dos quais, são produzidas, transmitidas e recebidas.”(...) (THOMPSON, 2000, p.181). Em segundo lugar, partindo desse pressuposto conceitual, recorremos a um artigo3 de Ananias Martins, no qual ele aponta um traço marcante da mentalidade maranhense, como herança lusitana, que é, mesmo na decadência ou no declínio, manter a fé na redenção de um passado glorioso. É o que Martins evoca como característica do sebastianismo. Esse traço mítico, levantado por Martins, na mentalidade do maranhense, dialoga com a importância, defendida por Alexandre Corrêa em artigo4 sobre as Políticas do Patrimônio e da Memória de Centro Histórico de São Luís, do papel que os mitos exercem no pensamento dos indivíduos e das sociedades. “De fato, nas sociedades humanas, e na vida mental dos indivíduos, percebe-se que os conflitos dramatizados pelos mitos simbolizam efetivamente processos profundos do inconsciente social e coletivo” (CORRÊA, 2006, p. 71). “No caso do Maranhão não são poucos os fatos e/ou momentos históricos que apontam um passado glorioso a ser restaurado no futuro, pois as nossas virtudes, belezas e mistérios, acredita-se que, por alguma providência, em algumas horas, se revestirão novamente em glória.” (MARTINS, 2000). Esse caráter da mentalidade maranhense, herança do sebastianismo lusitano, determina comportamentos coletivos e individuais da espera por dias melhores, ou do retorno de dias melhores. “Mas o sebastianismo, no sentido de uma espera mítica pelo redentor e a redenção, não resume toda a questão (...) Há provavelmente resíduo de messianismo, no sentido de que, uma vez revelado, se tornará uma espécie de salvação nacional e, conseqüentemente, de um milenarismo, aqui estabelecendo um novo conceito ou parâmetro que irá reinar por muito tempo – expectativa posta em coisas como o folclore rico e diverso, o porto internacional do Itaqui, o turismo recém promovido etc. Nisso se esvazia o sentido e o propósito da religião como igreja, para tornar a fé um ato civil (...)” (MARTINS, 2000, P.4). Por outro lado, em uma sociedade de excluídos, dominada historicamente por uma elite oligárquica, coronelesca, patrimonialista, essa herança, como se vê acima, cria as condições “subjetivas concretas” para a espera de um messias, com conseqüências danosas para as condições objetivas das pessoas, ou das comunidades, ou de grupos. No caso da música popular do Maranhão, como fenômeno cultural, fruto de mediações sociais, carregada de “significados incorporados de formas simbólicas (...)” (THOMPSON, 1995, p.176), vive-se também esse providencialismo. Essa crença coletiva se sustenta, além do passado glorioso de uma erudição intelectual e cultural – ao ponto de São Luís ter recebido a alcunha de Atenas Brasileira, pela grande quantidade e qualidade dos escritores que produziu –, nas condições objetivas e potenciais concretas no presente. A exemplo do rico e diversificado folclore, das belezas naturais e arquitetônicas e nos casos de maranhenses “bem sucedidos” de reconhecimento nacional, como Alcione, Zeca Baleiro, S. Antônio Vieira, Rita Ribeiro, Flávia Bittencourt, entre outros, que confirmam a crença de que o talento está aqui em terras maranhenses. Só falta o Brasil descobrir. É comum no Maranhão se ouvir pelo rádio, pela televisão ou em conversas de bar, ou se ler nos jornais, expressões do tipo, “quando o Brasil descobrir os talentos maranhenses” ou ainda, “se a mídia nacional abrisse mais espaço para a MPM5 , iria descobrir a riqueza da grande música popular maranhense”. Mais cedo ou mais tarde isso ainda vai acontecer. Profetiza-se. É essa espécie de crença e expectativa popular, involuntária até, que alimenta o meio musical no Maranhão. Ora, quem já teve um passado glorioso como o nosso, em várias épocas, em diferentes aspectos da atividade humana, não há por que não acreditar que o destino nos reconduzirá ao apogeu também na música. Para pontuar, é ufano citar que São Luís foi a quarta capital do Império brasileiro, após Recife, Salvador e Rio de Janeiro. É de má fé não falar que Gonçalves Dias foi o primeiro grande poeta brasileiro. Estas e tantas outras coisas (...) podem tomar conotações mobilísticas, heróicas e santas. (MARTINS, 2000) Daí esse sentimento coletivo de que a música do Maranhão pode ser a melhor, porque a nossa cultura é muito forte, nosso folclore é o mais rico e diversificado; porque os nossos músicos criados e curtidos nesse universo, no interior dessas melhores qualidades, mistérios sagrados, dessa ambiência arquitetônica lusitana, impregnados também, é claro, de certo sebastianismo, farão a diferença, assim que forem descobertos, como ressalta Martins, assim que cair “um véu que encobre as verdadeiras virtudes, belezas e nobrezas do lugar (...).” Isso por um lado pode ser bom para nossa Música, no sentido de que lhe confere uma aura de autenticidade, de um valor forte da cultura popular, resistente, rude, pois o controle social da indústria cultural sobre ela ainda não é total (ADORNO apud COHN, 1978, p.287-288). De outro modo pode igualmente remeter a movimentos voluntários equivocados, como estratégia de afirmação no mercado fonográfico nacional, a partir da supervalorização dessas características tão específicas de uma região, se em um passado bem distante, gloriosa, hoje um Estado periférico sem grande relevância econômica e política. Daí que Corrêa reivindica uma nova postura técnica, novo suporte científico ante aos bens culturais imateriais, como é o caso da música popular no Maranhão. Fruto de sínteses de diferentes culturas e de processo cultural em curso, inacabado, contínuo, sem uma centralidade determinante. (Corrêa, 2006.) Todavia, o importante é compreender que a música como fenômeno cultural, incorpora uma dinâmica intensa de mediações e interações, de trocas simbólicas, de significados que se reelaboram permanentemente no curso do processo histórico e político e seus diferentes contextos. Ignorar essa dimensão dos fenômenos e bens culturais, em um Estado com a tradição política do Maranhão, pode conduzir a acreditar que a messias, digo, o messias para a música popular já chegou, ou que acabou de se ir e que vai voltar para a restauração da grande música popular maranhense. Mas, em qualquer desses quadros, a crença messiânica pode reduzi-la à canção de casa grande, na melhor das hipóteses em um canto exótico de um grupo cada vez menor de músicos apaniguados do palácio, para um ainda menor de apreciadores. Fadada a virar, quem sabe um cd, como recompensa pelas festas e rodas domésticas animadas com o dinheiro de todos e de todas, público. Longe da perspectiva da construção de uma memória viva, com participação da população, fortalecendo identidades, o diálogo intercultural, determinando ativamente novas políticas culturais inclusivas. REFERÊNCIAS ADORNO, Theodor W., HORKHEIMER, Max. A Indústria cultural: o esclerecimento como mistificação das massas. In: Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985. CORRÊA, Alexandre Fernandes. Teatro das Memórias Sociais e do Patrimônio Cultural: a educação patrimonial em perspectiva. In Os caminhos do patrimônio no Brasil / Organizadores Manoel Ferreira Lima Filho. Márcia Bezerra – Goiânia: Alternativa. 2006. ________. Patrimônios, Museus e Subjetividades. In Ciências Humanas em Revista/Universidade Federal do Maranhão. Centro de Ciências Humanas, São Luís,2004. COHN, Gabriel(org.). Comunicação e Indústria Cultural. 4 ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1978.. MARTINS, Ananias Alves. O Rei Vive - a Brasilidade Regional do Maranhão: um ensaio das sobreposições culturais e a formação da mentalidade local. Mimeo. 2006. MARANHÃO, Chico. MPM em discussão. Jornal o Estado do Maranhão. Opinião. Gráfica Escolar, São Luís, 2004, p. 5. THOMPSON, John B. O conceito de cultura. In: Ideologia e cultura moderna. Petrópolis: Vozes, 2000. SANTOS, Ricarte Almeida, De Zeca Baleiro a Bruno Batista....ainda. bem que eu não ouvi todos os discos. Diário da Manhã, Opinião. São Luís, 2004, p. 4. 1 Trabalho apresentado à disciplina Patrimônio, Identidade e Memória Social, do curso de pós-graduação em Gestão Cultural, da Faculdade São Luís, para obtenção de nota. 2 Ricarte Almeida Santos é graduado em Ciências Sociais, pós-graduando em Gestão Cultural, radialista, produtor e apresentador, desde 1991, do programa Chorinhos e Chorões, da Rádio Universidade FM, membro fundador do Clube do Choro do Maranhão e coordenador do projeto Chorando na praça. E-mail: ricochoro@hotmail.com 3 O Rei Vive - A brasilidade regional do Maranhão: um ensaio das sobreposições culturais e a formação da mentalidade local. 4 O Teatro das Memórias Sociais e do Patrimônio Cultural: a educação patrimonial em perspectiva. 5 Sigla cunhada popularmente pela classe musical para designar Música Popular Maranhense, como estratégia de afirmação e divulgação.   Texto: Ricardo Almeida Santos. Fonte: Guesa Errante – Jornal Pequeno. Edição e Pesquisa: Luiz Carlos Amaral – Secretário de Cultura de Cantanhede – MA.

 

ESPECIAL DE DOMINGO: IVAN PIMENTEL, UM LEAL DA VELA

O especial deste domingo foge às regras históricas do habitual, para homenagear um dos descendentes de Antonio Henriques Leal, que no último sábado (24 de julho) completaria 182 se vivo estivesse. Ivan Oiticica Pimentel não aderiu as letras como o seu tri-avô e sim ao esporte. Ivan Oiticica Pimentel é filho de Ruderico Pimentel e Vera Oiticica, neto de Bias Gomes Pimentel, bisneto de Ana Rosa Leal e Antonio Joaquim Netto dos Reys e tri-neto de Antonio Henriques Leal. Ivan Pimentel, figura lendária da vela brasileira e da classe Snipe comemorou 71 anos no dia 24/6/2009. Ele começou na vela tarde, já aos 18 anos no Iate Clube de Ramos, passando pelo Caiçaras e Iate Clube do Rio de Janeiro. Fez a façanha de ganhar 4 brasileiros de Snipe, um em cada década. Além disto, ganhou dois Hemisférios, dois Mundiais Master, dois Sulamericanos além de uma medalha de bronze no Panamericano de Indianápolis. Como bom Snipista, também faturou tudo em outras classes. É campeão Sulamericano de Soling, J/24 e até de Laser! Polêmico e irreverente, Ivan sintetiza o espírito da classe Snipe. Parabéns!!! Mensagens recebidas: Hoje dia de São João, embandeirado e festeiro, colorido, sacro e milagreiro. Nesse dia, há muitos anos, dizem por aí que são setenta, nasceu lá no Leblon um tal Ivan Pimentel, determinado a dar trabalho dia a dia o ano inteiro. Cavalgou sobre os trilhos dos bondes e nas praias de brancas areias; jogou futebol de salão e chuto bolas de meia ; saltou obstáculos montado na coragem; e por fim entrou em um barco e saiu velejando a vida, com licença Caetano, sem lenço e sem documento. Estudou sim senhor; e por incrível que pareça, por trás do jeito rude, brigão, prepotente, esconde seu lado arquiteto, compositor, poeta e esteta da beleza ideal, colecionador dos melhores sambas e leitor assíduo de belas obras. Adora uma festa e sair (como diz) a bailar. Adora velejar, tomar um uísque, um bom vinho, uma cachaça e até um chope sem graça (como digo) e, acima de tudo , namorar. Ivan Pimentel, insuportavelmente amigo é um amigo insuportável, te dá raiva e é adorável, mas acima de tudo é um enorme coração pulsante, um autêntico cavalheiro andante com sua armadura rubro-negra . Parabéns, querido amigo, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida, com saúde, boa cuca e muito amor de lindas mulheres. E como disseram os amigos Roberto e Erasmo e me perdoe se não é um samba: Você meu amigo de fé Meu irmão camarada Amigo de tantos caminhos E tantas jornadas Cabeça de homem Mas coração de menino Aquele que está do meu lado Em qualquer caminhada Me lembro de todas as lutas Meu bom companheiro Você tantas vezes provou Que é um grande guerreiro O seu coração é uma casa de portas abertas Amigo, você é o mais certo Das horas incertas. Um abraço carinhoso e eterna amizade. Affonso Abreu *** O conheço há pouco tempo (só 3 anos), mas criamos uma afinidade, uma proximidade que me permite dizer “Oxalá eu chegue aos 70 anos com a disposição, a simpatia, o carisma, a malandragem e a VIDA, nela incluindo a saúde, do Ivan Oiticica Pimentel, o verdadeiro Mr. Sniper. Ivan, Mazel Tov e Shalom. Júlio César *** Dá-lhe Negão! São 70 anos de samba no Morro Santa Teresa! Desejo muita saúde para a alegria das mulatas! Tu é o cara! Grande Abraço, Cenoura (Daniel Glomb) *** Na verdade ele é q nem o cara: BAIXINHO, CARECA E CHEIO DA MARRA!!! HAHAHA Boa seu Ivan! Vamos comemorar em CF!!! Abs Caneppa *** Muita gente tenta, mas só o Ivan é fera aos setenta! Nada a mais a acrescentar a não ser: Parabéns! Um abraço Marco Aurélio *** Grande Cara!! O Ivan é uma figura impar, que ensinou muita gente a velejar, inclusive eu e o Santinha, que creditamos grande parte das conquistas do Mundial de 1997 e do Hemisfério de 1996 aos ensinamentos e dedicação do “Negão” ao esporte. Parabéns antecipado Negão!! Pois acho que amanhã vai ser difícil te achar… hahahaha!! Um abração, Eduardo Neves. *** Grande Ivan!!! A alguns meses atrás você me convidou para o seu aniversario de 50 anos no jardim botânico, lembra? Da ultima vez que vi você ganhar o brasileiro em Porto Alegre dentro da casa do Xandi, onde carregamos você com Tijolo barco e tudo pelo Jangadeiros a fora, te falei que quero ver você ganhar outro aos 80, Lembra!? Eu não duvido! Sempre acreditei no seu talento e na sua saúde, vamos em frente, Parabéns Saúde e Toulacunãcuera, não sei ao certo se e assim que se escreve, mas para quem não sabe significa: Que venham as mulheres todas!! Grande abraço Feliz aniversário! Lemão *** Boa negao!! Parabens e sucesso!! Comemoraremos juntos em cabo frio! Grande abraco Chico vianna *** Parabéns Mestre Ivan . De um dos seus proeiros e seguidores monges Taoistas . Onde vai ser a Birita ? Abraço Madura *** Negão, parabéns pelo dia de hoje. Que comemores junto com teus amigos, cheio de saúde e felicidade. Aqui de Palegre faremos um brinde pela comemoração. Forte abraço, Nando Krahe *** Sem dúvida alguma, Ivan Pimentel é o cara. Ao longo de pelo menos 40 anos, tenho tido o prazer de estar com ele. Não cheguei a vê-lo em um Sharpie 12M, mas de Snipe, Soling, 470, J24, Star e Oceano, sim. Em muitas destas classes consegui ser seu proeiro e em outras, fazer parte da tripulação. E sempre com muita honra, tivemos vitórias e derrotas. Mas o aprendizado foi enorme. Um grande abraço e muitas felicitações pelo dia de hoje, e sempre. Victor Demaison (mais conhecido por ele, como Elefante) *** Grande IVAN !!!!!!!!!! Receba daqui de Brasília nosso grande abraço e carinho nesta data muito especial. Durante todos este anos e olha que não são poucos tivemos a grande alegria e satisfação de conviver com esta ser humano especial que e você. Deus te abençoe, saúde, paz o resto você sabe como faz! Forte abraço com muito carinho. Cezar Castro (veinho) *** O Ivan criolo é o mais laureado atleta da vela brasileira (ele não gosta que se fale isso) , entenda-se como laureado o maior vencedor de regatas, interclubes, estaduais, brasileiros e internacionais. Velejou e ganhou nas seguintes classes (que me lembro), sharpie 12m, snipe, soling, laser, 470, j24, quarter tonner, oceano entre outras (acho que até de carioca ele velejou bem). É um snipista com muita paixão. Conheço o Ivan desde o final da década de 60 quando levava o sharpie 12m e o snipe para a rampa do Guanabara e de lá ia vencer as regatas pelos caiçaras. Tempos bons não voltam mais…… gerações de velejadores aprenderam a arte com ele. É um cara maravilhoso (além de ser flamenguista da mais alta estirpe), tenho o prazer de ser seu amigo e ele merece todos os parabéns e toda a força para que continue assim por mais 70 anos. parabéns negão Marcelo Ramos Edição e pesquisa: Luiz Carlos Amaral – Secretário de Cultura de Cantanhede.

 

ESPECIAL DE DOMINGO: UM CANTANHEDE GOVERNOU A BAHIA

João Duarte Lisboa Serra foi Governador da Bahia (Presidente da Província), de 11 de setembro a 12 de outubro de 1848. Era filho de Leonor Francisca Cantanhede e Francisco João Serra, neto de Isabel Cantanhede e João Duarte Lisboa, bisneto de José Cantanhede e Francisca Tereza de Abreu e trineto de Faustino Mendes Cantanhede (fundador de Cantanhede) e Isabel Assunção Muniz. Muito cedo ficou órfão materno e foi criado pela irmã Leonor, que faleceu em 10 de março de 1839, deixando o Conselheiro muito triste. João Serra estudou em Coimbra e casou com Inês Amália Sampaio em 1842.  Foi eleito Deputado pelo Maranhão em 1847. Foi Presidente do Banco do Brasil de 1854 a 1855. João Serra nasceu em 31 de maio de 1818, na freguesia de Nossa Senhora das Dores do Itapecuru, na fazenda de sues pais e morreu em 16 de abril de 1855. Além da irmã Leonor, teve o irmão Joaquim Serapião da Silva Serra. 23 de agosto (Poema de Gonçalves Dias a João Duarte Lisboa): Mais um pungir de acérrima saudade,Mais um canto de lágrimas ardentes,Oh! minha Harpa, - oh! minha Harpa desditosa. Escuta, ó meu amigo: da minha almaFoi uma lira outrora o instrumento;Cantava nela amor, prazer, venturas, Até que um dia a morte inexorávelTriste pranto de irmão veio arrancar-te!As lágrimas dos olhos me caíram, E a minha lira emudeceu de mágoa!Então aventei eu que a vida inteiraDo bardo, era um perene sacerdócio De lágrimas e dor; - tomei uma Harpa:Na corda da aflição gemeu minha alma,Foi meu primeiro canto um epicédio! Minha alma batizou-se em pranto amargo,Na frágua do sofrer purificou-se!Lancei depois meus olhos sobre o mundo, Cantor do sofrimento e da amargura;E vi que a dor aos homens circundava,Como em roda da terra o mar se estreita; Que apenas desfrutamos, - miserandos!Desbotado prazer entre mil dores,- Uma rosa entre espinhos aguçados, Um ramo entre mil vagas combatido.Voltou-se então p'ra Deus o meu esp'rito,E a minha voz queixosa perguntou-lhe: - Senhor, porque do nada me tiraste,Ou por que a tua voz onipotenteNão fez secar da minha vida a sebe, Quando eu era principio e feto - apenas?Outra voz respondeu-me dentro d'alma:- Ardam teus dias como o feno, - ou durem Como o fogo de tocha resinosa,- Como rosa em jardim sejam brilhantes,Ou baços como o cardo montesinho. Não deixes de cantar, ó triste bardo. -E as cordas da minha harpa - da primeiraÀ extrema - da maior à mais pequena, Nas asas do tufão - entre perfumes,Um cântico de amores exaltaramAo trono do Senhor; - e eu disse às turbas: - Ele nos faz gemer porque nos ama;Vem o perdão nas lágrimas contritas,Nas asas do sofrer desce a demência; Sobre quem chora mais ele mais vela!Seu amor divinal é como a lâmpada,Na abóbada dum templo pendurada, Mais luz filtrando em mais opacas trevas.Eu o conheço: - o cântico do bardoÉ bálsamo ao que morre, - é lenitivo, Mas doloroso, mas funéreo e tristeA quem lhe carpe infausto a morte crua.Mas quando a alma do justo, espedaçando O invólucro de lodo, aos céus remonta,Como estrada de luz correndo os astros,Seguindo o som dos cânticos dos anjos Que na presença do Senhor se elevam;Choro... tão bem Jesus chorou a Lázaro!Mas na excelsa visão que se me antolha Bebo consolações, - minha alma anseiaA hora em que também há de asilar-seNo seio imenso do perdão do Eterno. Chora, amigo: porém quando sentiresO pranto nos teus olhos condensar-se,Que já não pode mais banhar-te as faces, Ergue os olhos ao céu, onde a luz mora,Onde o orvalho se cria, onde pareceQue a tímida esperança nasce e habita. E se eu - feliz! - puder inda algum diaFerir por teu respeito na minha harpaA leda corda onde o prazer palpita, A corda do prazer que ainda inteira,Que virgem de emoção inda conservo,Suspenderei minha harpa dalgum tronco Em of'renda à fortuna; - ali sozinha,Tangida pelo sopro só do vento,Há de mistérios conversar co'a noite. De acorde estreme perfumando as brisas:Qual Harpa de Sião presa aos salgueirosQue não há de cantar a desventura, Tendo cantos gentis vibrado nela. Edição e Pesquisa: Luiz Carlos Amaral – Secretário de Cultura de Cantanhede – MA.

 

ESPECIAL DE DOMINGO: QUARTO NETO DO MARQUÊS DE MARIALVA FOI GOVERNADOR DO MARANHÃO

D. José Tomás de Eça e Menezes, casado com a cantanhedense do Maranhão, Luisa Perpétua Carneiro Homem de Souto-Maior, filha do Coronel, Aires Carneiro Homem de Souto-Maior, rico fazendeiro do Peritóro – Cantanhede foi governador da Capitania do Maranhão entre 1809 e 1811. D. José Tomás Eça e Menezes é filho de D. Rodrigo José António de Menezes, 1º conde de Cavaleiros, neto de D. Pedro José de Alcântara de Menezes Noronha Coutinho, 4º marquês de Marialva, bisneto de D. Joaquina Maria Madalena da Conceição de Menezes, 3ª marquesa de Marialva, tri-neto de D. Pedro António de Menezes, 2º marquês de Marialva e quarto-neto do filho mais ilustre de Cantanhede de Portugal, D. Antonio Luís de Menezes – o 1º Marquês de Marialva. As pesquisas do DNA Cantanhede avançaram e descobrimos que no município português de Vila do Conde, na freguesia de Outeiro Maior, nos arredores da cidade do Porto estão vários vestígios dessa história. A família dos senhores da Casa dos Cavaleiros do Outeiro Maior, município de Vila do Conde, é também conhecida como os Ferreiras de Eça. O seu antepassado mais antigo e bem identificado é Fafia Guterres, que viveu em finais do século XI e primeira metade do XII, e era aparentado com os Cunhas. É ainda mencionado nas Inquirições de D. Afonso III, onde se diz que «esta paróquia é Honra dos Cavaleiros desde antigamente, da família de D. Fafia Guterres» ("parrochia ist est honor militum de veteri, de genere Domini Fafie Goterri"). O Paço de Cavaleiros foi solar da linhagem medieval dos Ferreiras. A família Ferreira de Eça propriamente dita aparece com o casamento de Estevão Ferreira (1463-1517) fidalgo da Casa Real e importante proprietário fundiário, com Beatriz de Eça, Filha de João de Eça, Alcaide-mor de Sousel e Vila Viçosa, de família menos afortunada, mas de linhagem muito mais prestigiada (Os Eças descendem do Rei D. Pedro e de D. Inês de Castro). Até ao séc. XVI, os Cavaleiros terão resido habitualmente no seu palácio do Outeiro Maior e ter-se-ão feito sepultar no Mosteiro de S. Simão da Junqueira; a partir do séc. XVI, mudaram a sua residência para a Casa do Arco, em Guimarães, não deixando contudo de residir sazonalmente na Casa dos Cavaleiros, e na Casa do Paço de São Tomé de Negrelos (conc. de Santo Tirso). Três gerações sucessivas de senhores da família foram sepultadas no Convento de S. Francisco de Vila do Conde: Joana Ferreira de Eça (+1566), Estevão Ferreira de Eça (+1590), e Jerônima Ferreira de Eça (+1648) com seu marido, Manuel Machado de Miranda (+1645), bem conhecido na história de Guimarães. No século XIX, houve três Condes de Cavaleiros, Rodrigo José António de Meneses, Gregório José António Ferreira de Eça e Menezes e Rodrigo José de Meneses de Eça. A escritora Agustina Bessa-Luís, embora não seja descendente da referida família passou contudo algum tempo da sua adolescência na Casa de Cavaleiros (a que a autora, na narrativa, chama «Condestável») facto evocado no conto O Soldado Romano, nos Dentes de Rato e também no romance Antes do Degelo. De salientar que na capa da edição original desta obra vem uma fotografia da fachada desta casa.   José Tomás de Eça e Meneses Nascido em Minas Gerais em 1780 e falecido no Rio de Janeiro, foi coronel de cavalaria, governador da capitania do Maranhão de 1809 a 1811, onde se houve “com tal prudência e discriminação que o Senado e o Povo requereram que ele não fosse removido daquele governo”; foi pai do terceiro conde. Vejam-se duas estrofes do Canto Genetlíaco que dele falam: Rômulo porventura foi Romano? E Roma a quem deveu tanta grandeza? Não era o grande Henrique Lusitano: Quem deu princípio à glória portuguesa? Que importa que José Americano Traga a honra, a virtude e a fortaleza De altos e antigos troncos portugueses, Se é patrício este ramo dos Meneses? Quando algum dia permitir o Fado Que ele o mando real moderar venha, E que o bastão do pai, com glória herdado, Do pulso invicto pendurado tenha, Qual esperais que seja o seu agrado? Vós exp'rimentareis como se empenha Em louvar estas serras e estes ares E venerar, gostoso, os pátrios lares. A investigadora brasileira da Universidade de S. Paulo Laura de Mello e Souza, que versa frequentemente temas ligados aos primeiros Condes de Cavaleiros, apresentou uma vez na França um trabalho sobre José Tomás de Eça e Meneses, sob o título de "José Tomás de Menezes entre la vie et la littérature, trajectoire de vie dans le sillage de l’empire luso-brésilien".   Conheça a História dos Conde de Cavaleiros:   O primeiro Conde de Cavaleiros foi um excelente governador de Minas Gerais, no Brasil, entre 1780 e 1783, e por isso tem um enorme interesse para o estudo da história desse estado; governou depois a Baía. Mas a sua importância não se esgota aí. A esposa e alguns filhos deste conde também deixaram marcas para a história. Eles foram a família mais notável de todo passado da Casa de Cavaleiros. No livro que escrevemos sobre o Outeiro Maior[1], já tínhamos falado dos Condes de Cavaleiros; fizemo-lo então principalmente a partir da desenvolvida notícia que deles traz a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira. Agora retomamos o assunto sobretudo a partir de recolhas feitas em páginas da Internet.   Os primeiros Condes de Cavaleiros foram D. Maria José Ferreira de Eça e Bourbon, filha única e herdeira do décimo primeiro senhor da Casa de Cavaleiros, no Outeiro Maior, Vila do Conde, que nasceu, em 27 de Setembro de 1753, na Quinta do Furadouro(1), em Óbidos. D. Ro drigo José António de Meneses nasceu em Lisboa, em Santa Maria dos Olivais, em 12 de Fevereiro de 1750, e viria a falecer em Óbidos, na mesma Quinta do Furadouro, a 13 de Maio de 1807.   Estes futuros condes fizeram um casamento precoce: D. Maria José completava então treze anos e ele tinha dezessete. Na altura, eram herdeiros da rica Casa de Cavaleiros, pela parte de D. Maria José, enquanto o seu marido poderia ser apenas herdeiro dum nome nobre. Apesar deste casamento ter sido sem dúvida um arranjo de conveniências entre famílias, a vida todavia sorria-lhes. NO BRASIL Não sabemos como viveu o casal no seu princípio, o que sabemos é que, catorze anos à frente, em 1780, aconteceu um fato determinante: D. Rodrigo José António de Meneses, que então tinha 30 anos, foi para o Brasil como governador e capitão-general de Minas Gerais. Tomou posse a 20 de Fevereiro. O governador, “grande estadista colonial”   Vejam-se agora alguns textos retirados da Internet sobre o novo Governador de Minas Gerais: “D. Rodrigo pôde constatar facilmente a decadência da Capitania, e assinalar ao governo português esse fato, propondo uma série de medidas de grande alcance: liberdade das indústrias, levantando-se diversas proibições existentes; organização de um serviço de correios, que seria um benefício para o povo e uma fonte de renda para o erário; a concessão de empréstimos aos mineiros, a juros de 8 a 9% ao ano; a supressão das casas de fundição e a transferência da casa da moeda para as Minas, porque então poder-se-ia proibir a circulação do ouro em pó, encontrando os mineiros na Fazenda real um comprador seguro do seu ouro; a criação de uma fábrica de ferro, chegando o governador a mandar fundir algumas peças, remetendo-as ao ministro. […] Embora não podendo realizar todo o seu programa, conseguira entretanto D. Rodrigo prestar inúmeros benefícios à Capitania. Ele se abalançara a grandes e penosas viagens, como aos sertões dos Arrepiados e do Cuieté, onde, além das fadigas da marcha, havia o perigo da presença dos terríveis botocudos. Rasgara estradas para diversas zonas da Capitania, e se esforçara no povoamento do solo”. “No começo da década de 1780 o governador D. Rodrigo José de Menezes, grande estadista colonial, mandou melhorar o estado de todas estas estradas e construir pelo menos mais três, todas obras louváveis de engenharia da época, dotadas de pontes, muros de arrimo, chafarizes e obras de arte. Dentre estas, cumpre destacar a "Estrada da Cachoeira", obra imponente que ligava o Palácio de Veraneio de Cachoeira do Campo ao de Ouro Preto. Dotada de longos muros de pedra, uma ponte de três arcos e um belo chafariz ainda em funcionamento, esta é a mais bela e conservada estrada de Minas colonial.   Em Cachoeira do Campo ficava o famoso Palácio de Campo dos Governadores (reformado e ampliado pelo mesmo D. Rodrigo - atual Colégio das Irmãs) e o Quartel-general da Cavalaria das Minas (atual Centro Dom Bosco), monumentos que ficaram célebres durante a Inconfidência Mineira. Nada mais justo e óbvio que esta estrada fosse a mais bem conservada de Minas (pois ligava os dois palácios). Ainda hoje ela pode ser visitada e sua ponte (chamada ‘do Palácio’, já engolida pela área urbana de Cachoeira) ainda é utilizada e trafegada.” (http://www.camposdeminas.com.br/estradareal.php) Protector das Letras e inspirador de poetas e de revoltosos “A uma época em que tudo na América estava por fazer, não se podia esperar que esses capitães-generais pudessem ter muitas veleidades literárias, ainda que D. Rodrigo José de Meneses, filho do famoso marquês de Marialva, à época em que dirigiu a capitania de Minas Gerais no começo da década de 1780, tenha sido uma exceção, pois, apreciador das belas letras, foi incensado por poetas do calibre de Cláudio Manuel da Costa, Tomás António Gonzaga e Alvarenga Peixoto exatamente porque permitia que esses homens de cultura frequentassem o palácio do governo para sessões lítero-musicais”. (http://literaturasemfronteiras.blogspot.com/2009/05/petrarca-em-minas-gerais-adelto.html) Por altura do batizado de D. José Tomás de Meneses, um dos filhos do Governador Rodrigo José de Meneses, compôs o poeta Alvarenga Peixoto um poema a que chamou Canto Genetlíaco. De acordo com o cap. VI duma célebre História da Conjuração Mineira, numa das reuniões dos conjurados que desejaram então dar ao Brasil uma independência republicana, ao modo dos nascentes Estados Unidos da América, foram evocadas páginas vibrantes de entusiasmo brasílico contidas naquele poema. Vejam-se algumas estrofes desse canto: "Aquelas serras na aparência feias, — dirá José — oh quanto são formosas! Elas conservam nas ocultas veias a força das potências majestosas; têm as ricas entranhas todas cheias de prata, oiro e pedras preciosas; aquelas brutas e escalvadas serras fazem as pazes, dão calor às guerras.   Aqueles matos negros e fechados, que ocupam quase a região dos ares, são os que, em edifícios respeitados, repartem raios pelos crespos mares. os coríntios palácios levantados, dóricos templos, jônicos altares, são obras feitas desses lenhos duros, filhos desses sertões feios e escuros.   A c'roa de oiro, que na testa brilha, e o cetro, que empunha na mão justa do augusto José a heróica filha, nossa rainha soberana augusta; e Lisboa, da Europa maravilha, cuja riqueza todo o mundo assusta, estas terras a fazem respeitada, bárbara terra, mas abençoada.   Estes homens de vários acidentes, pardos e pretos, tintos e tostados, são os escravos duros e valentes, aos penosos trabalhos costumados: Eles mudam aos rios as correntes, rasgam as serras, tendo sempre armados da pesada alavanca e duro malho os fortes braços feitos ao trabalho". Ao citar poesia brasileira a respeito dos primeiros Condes de Cavaleiros, é inevitável ouvir também algumas estrofes do mesmo poeta do início do seu Bosque da Arcádia, escrito para o aniversário da “Ilustríssima e Excelentíssima Senhora Dona Maria José Ferreira Eça e Bourbon (página 7 e seguintes).”. A linguagem neoclássica desta poesia arcádica torna-a bastante difícil para o leitor comum:   Coro das Ninfas Ó loiros do Parnaso, Cobri com vossos ramos O voto que elevamos À Deusa tutelar. Sonho, ou deliro! Eu vejo as claras fontes, Os verdes bosques e os floridos vales Do famoso Erimanto. Eu vejo o Deus da Arcádia E as belas Ninfas, que em polido jaspe Gravam o nome e os anos de Maria, Por que chegue entre palmas e entre loiros, A sua glória aos últimos vindoiros. Coro Alegre, a Primavera Por ti seus dons entorne E novos anos torne Festiva a numerar. Também Cláudio Manuel da Costa dedicou a “D. Maria José de Essa” uma ode “em seu aniversário”. Em jeito de síntese da sua passagem por Minas Gerais, veja-se esta espécie de auto-apresentação de D. Rodrigo José de Meneses(pág. 15): 1. Fui governador da Capitania de Minas Gerais entre 1780 e 1783. Depois de governar as Minas, fui nomeado para a Baía. 2. Nasci em 1752 e pertenci a uma das famílias mais nobres de Portugal, tendo sido meu pai uma das figuras mais destacadas na corte portuguesa na segunda metade do século XVIII. 3. Antes de ser nomeado para o governo da Capitania de Minas Gerais, em 1779, fui nomeado para o Grão-Pará, cargo que não cheguei a ocupar. 4. Vim para a América portuguesa acompanhado de minha esposa, D. Maria José, que estava grávida, e de meu filho mais velho. Tive mais três filhos, todos nascidos em Minas Gerais. 5. Entre Junho e Setembro de 1781, viajei para as regiões fronteiriças da Mantiqueira e do Rio Doce, ocasião em que pude observar de perto desavenças entre colonos, autoridades administrativas e índios. 6. Em Janeiro de 1782, fiz uma viagem para o Distrito Diamantino, pois estava extremamente preocupado com a intensa mineração ilegal, corrupção e desmandos na região. Os relatos dessa viagem foram enviados ao Conselho Ultramarino em Abril do mesmo ano. 7. Procurei exercer meu governo baseado nos princípios do Reformismo Ilustrado. 8. Na minha opinião, muitas das medidas tomadas pelo Reino com relação à região mineradora eram ineficazes porque a natureza das Minas era pouco conhecida. 9. Tornei-me amigo da “nobreza da terra” e dos letrados locais, como Tomás António Gonzaga e Alvarenga Peixoto. 10. Empreendi várias viagens pelas Minas Gerias, porque tudo queria ver pessoalmente. Em Ouro Branco existe uma Rua Dom Rodrigo José de Menezes. Na Câmara Municipal de Salvador conserva-se um retrato do mesmo D. Rodrigo. Durante mais de um século, houve um leprosário em Salvador com o seu nome. (1) Neste texto sobre a Quinta do Furadouro há erros, como o de dizer que foi o Conde de Cavaleiros que comprou a quinta, quando a esposa dele já lá tinha nascido, ou aquele que liga Cavaleiros a D. Inês de Castro. O brasão da imagem parece ser de um Ferreira d'Eça ou Cavaleiro, mas que viveu e casou na Casa do Arco, em Guimarães. PUBLICADA POR JOSÉ FERREIRA EM 11:12 0 COMENTÁRIOS   OS PRIMEIROS CONDES 2 DE NOVO EM PORTUGAL O título de Condes de Cavaleiros foi criado por D. Maria I, por decreto de 14-11-1802, por carta de 29-11-1802. É portanto nesta altura que D. Rodrigo José António de Menezes se torna primeiro Conde de Cavaleiros, a grande distância assim da sua passagem por Minas Gerais e pela Baía. Para o título condal recorreu-se à casa familiar tradicional dos Ferreiras d’Eça, a Casa de Cavaleiros. Na Conspiração do Alfeite “Dona Carlota desde cedo criou uma espécie de partido próprio e em 1805/6 Dom João descobriu uma conspiração tramada contra ele por sua própria esposa (o episódio ficou conhecido como Conspiração de Alfeite). O camareiro do príncipe, Matias António Lobato (que mais tarde ficou também conhecido como O Favorito), informou o regente da existência do plano devido uma denúncia do Frei António de Andrade. Junto a Carlota na trama estavam vários nobres e eclesiásticos (o Duque de Cadaval, o Marquês da Ponte de Lima, o Conde de Cavaleiros, o Marquês de Alorna dentre outros): planejavam tirar do governo o regente, e prendê-lo, declarando-o incapaz de gerir os negócios públicos; em uma declaração eles alegavam o apoio a Carlota baseado em que "ela soubera fazer-se estimada não só da aristocracia como da plebe".   Os filhos dos primeiros Condes Os Condes de Cavaleiros tiveram, além de D. Gregório José, primogênito: D. Diogo, que foi conde da Lousã e comandou a nau «Martim de Freitas», na esquadra que conduziu D. João VI ao Brasil; D. Eugênia José de Meneses, dama do paço; D. Isabel, que casou com o quinto conde das Calveias; e D. José Tomás, que foi governador da capitania do Maranhão (pai do terceiro conde). D. Eugénia, uma vida destroçada Sobre D. Eugénia conta-se uma história que no-la mostra vítima duns amores juvenis com o próprio rei D. João VI. O fato parece que precisa de muito esclarecimento. D. Eugénia nascera no Brasil, em 1781, quando o pai era governador. Em Maio de 1803, com 22 anos, ainda solteira, apareceu grávida. As suspeitas recaíram sobre D. João, que manteria encontros amorosos com ela com a ajuda de um padre da corte e do médico João Francisco de Oliveira, físico-mor do Exército, que era casado e tinha filhos.   “Logo que se descobriu que Eugénia estava grávida, Oliveira teria decidido sacrificar a sua própria reputação para salvar a do príncipe regente: deixou a mulher e os filhos em Lisboa e fugiu com Eugénia para Espanha, mas abandonou-a logo depois de atravessar a fronteira, na cidade de Cádis. Eugénia foi recolhida pelas freiras do convento de Conceição de Puerto de Santa Maria, onde teve a sua filha. Dali, mudou-se para outros dois conventos. Morreu num deles, na cidade de Portalegre, a 21 de Janeiro de 1818, quando D. João já tinha sido coroado rei no Rio de Janeiro. Durante esse período, todas as suas despesas foram pagas pelo monarca”. Apesar disso, D. João fez um decreto retirando-lhe todos os direitos, e outro condenando o médico à morte por ter abusado de uma nobre. Este acabou por fugir para os Estados Unidos e no regresso, em 1816, teria passado pelo Brasil e obtido, em 1820, o indulto de D. João. “Retornou a Portugal e elegeu-se deputado pela Ilha da Madeira. Mais tarde, o médico legitima D. Eugénia, a filha, que passou a morar com ele. Até D. Eugénia morrer e a filha ser reconhecida, elas sobreviveram graças à pensão real. No final dos anos 1840, a suposta bastarda conseguiu uma graça da rainha D. Maria II, que reabilitou a mãe, e com isso restituiu as honras da nobreza a seus herdeiros. Naquele momento, a história veio à tona partindo da família, que queria ver a bastarda reconhecida como filha de D. João”. Os segundos Condes O segundo Conde de Cavaleiros, D. Gregório José António de Eça e Meneses, nasceu em Guimarães em 6 de Junho de 1769 e morreu em 28 de Dezembro de 1825. No cargo de estri beiro-mor de D. Carlota Joaquina acompanhou a famí lia real ao Brasil. Casou a 13 de Maio de l800 com D. Francisca Correia de Lacerda Melo Pita Pacheco (1 de Agosto de 1770 - 8 de Dezembro de 1829), filha herdeira do 12.º senhor da Honra de Fralães, Francisco Manuel Correia de Lacerda, e de sua mulher, D. Mariana Pita Pacheco de Melo Malheiro. D. Francisca era então viúva do Conde de Cunha, com quem casara cinco anos antes. Não tiveram filhos.   Os terceiros Condes D. Rodrigo José de Menezes de Eça, terceiro Conde de Cavaleiros, nasceu em Lisboa, em 13 de Maio de 1815 e faleceu a 23 de Maio de 1881. Era sobrinho do segundo conde, por ser filho daquele D. José Tomás cujo batizado originou o Canto Genetlíaco e que foi governador da capitania do Maranhão (1809-1811). Dedicou-se à política tendo sido deputado e par do reino, bem como governador civil de Braga (22.04.1857-29.09.1857) e de Lisboa (12.09.1866-03.01.1868).   A família que desde o século XI possuiu um solar na freguesia vila-condense do Outeiro Maior costuma ser identificada como os Cavaleiros. Esse solar fica na base da colina onde se assinala a Citânia chamada Cividade de Bagunte. E o fato é que na Casa de Cavaleiros já ocorreram achados romanos. Na passagem do séc. XI para o XII, o dono da casa chamava-se D. Fafia Guterres e era proximamente aparentado com os Cunhas: é o primeiro Cavaleiro que se conhece sem margem para dúvidas, pois nas Inquirições de D. Afonso III afirma-se que a freguesia é “Honra dos Cavaleiros, da família de D. Fafia Guterres”. Há alguns documentos que o mencionam quer como ainda vivo quer como já falecido. Após ele, só voltamos a conhecer nomes de Cavaleiros no séc. XIV quando os Ferreiras possuem a casa. Em virtude dum casamento de um senhor de Cavaleiros, efetuado no séc. XVI, com D. Beatriz d’Eça, passaram eles depois a ser conhecidos como os Ferreiras d’Eça.   Foi a partir da mãe desta herdeira de Cavaleiros que a sua família adaptou o apelido de Eça. A Casa de Cavaleiros chegou a ser riquíssima; em tempos modernos, conta-se que recebia de renda «um carro de pão por cada dia do ano, mais doze para os ratos». Martim Ferreira,na segunda metade do séc. XV, «acrescentou o Palácio da q.ta de Cavaleiros onde mandou por as armas dos Ferreiras e Pr.as». É provável que na altura tenha sido levantada torre senhorial.   O que chegou até hoje da Casa de Cavaleiros, aparentando certa uniformidade de estilo, mormente na fachada principal, voltada a nascente, esconde sem dúvida dois períodos distintos e distantes de construção. No primeiro andar, chamam a nossa atenção as belas portas que tomam o lugar das janelas, como era uso no tempo em casas fidalgas, com grade protetora ao modo de sacada, e a porta propriamente dita, a que uma escadaria defendida por corrimão de pedra dá acesso. Aí ficaria o bloco mais nobre da habitação. Ainda nesta fachada, mas para norte, abria-se o mirante ou varandim, sustentado por colunas, com larga vista para os campos por onde corria o acesso principal da casa.   Sensivelmente ao centro, no rés-do-chão, larga abertura rematada em arco, na parede frontal (e também na traseira), dava para o jardim. Ao chegar aí, à direita, elevava-se a torre senhorial, hoje muito desfigurada, mas mostrando ainda as suas paredes de imponente espessura. É ela o testemunho mais convincente do que no século XV se chamou o Palácio de Cavaleiros – mesmo que alguns trechos de parede possam ser mais antigos ainda. Os pavimentos dos andares estão por terra. Ao nível do solo, abre-se uma porta bastante vulgar e ao seu lado uma fresta ou seteira. Pelo exterior norte da torre, umas escadas de feitio recente davam acesso ao primeiro piso e certamente uma escada interior levaria ao segundo. A parte da casa que ainda avança na direção da capela denota também nalguns casos real antiguidade. Na capela, merece atenção a sua bela talha de recorte neoclássico a ameaçar ruína.   A escritora Agustina Bessa-Luís passou algum tempo da sua adolescência em Cavaleiros, daí que refira a casa ao menos em duas das suas obras, o romance Antes do Degelo e o conto O Soldado Romano. Nos Dentes de Rato há mesmo um conto intitulado "Os Condes de Cavaleiros" e fala-se de Cavaleiros noutras histórias da coleção: Entre o princípio do séc. XVII e 1815, os Cavaleiros ou Ferreiras d’Eça viveram predominantemente em Guimarães, na sua Casa do Arco A Casa de Cavaleiros é definitivamente uma casa nobre importante: nas redondezas nenhuma a iguala. Ultimamente, dois estudos deram a conhecer a família dos Cavaleiros muito mais a fundo. Referimo-nos ao longo artigo de Maria Adelaide Pereira de Morais Velhas Casas XI, a do Arco, na Rua de Santa Maria, em Guimarães, que a partir da página 36 (158 na publicação original da revista) trata o tema d'"A Genealogia dos Ferreiras de Eça, Morgados de Cavaleiros, Senhores da Casa do Arco (15??-1817)", e ao Ensaio sobre a origem dos Ferreira, de Manuel Abranches de Soveral, que procura colmatar a lacuna que vai de Fafia Guterres aos primeiros Ferreiras que possuíram a casa. Às vezes, porém, mesmo nestes autores tão informados, ocorrem erros. Esperamos propor aqui a correção de alguns deles. Uma fonte indispensável para conhecer os primórdios dos Cavaleiros são os dois volumes de Sérgio Lira sobre o Mosteiro de S. Simão da Junqueira: LIRA, Sérgio, O Mosteiro de S. Simão da Junqueira – I (Colecção Documental), Col. Cadernos e História Local, Vila do Conde, 2001. LIRA, Sérgio, O Mosteiro de S. Simão da Junqueira – II (dos primórdios a 1300), Col. Cadernos e História Local, Vila do Conde, 2001. Também o nosso Outeiro Maior (FERREIRA, José e GONÇALVES, José, Outeiro Maior, Junta de Freguesia do Outeiro Maior, 2005) dá uma ajuda que pode ser preciosa, por ser uma obra surgida no local. Assinalamos mais estes dois trabalhos: FERREIRA, Mons. José Augusto, A Igreja e o Estado, Liv. Povoense Editora, 1913, Col. Ciência e Religião. FEREIRA, José, «S. Martinho do Outeiro Maior nos documentos medievais em latim», separata do Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila do Conde, 1996. Para o estudo dos Condes de Cavaleiros no Brasil, certamente a pessoa mais informada é Laura de Mello e Souza. Veja-se ainda aqui. D. Fafia Guterres e Soeiro Fafes Nos documentos do Mosteiro de S. Simão da Junqueira, o último documento de D. Fafia Guterres data de 1151. Catorze anos depois, em 1165, os seus filhos, com Soeiro Fafes à frente, fazem a partilha da herança do pai. Estes filhos, nesse mesmo ano, são apelidados de “Cavaleiros de Ateaia”: num documento, certamente relativo ao Outeiro Maior, menciona-se um “monte dos Cavaleiros de Ateaia”. Em 1205, ou talvez mais tarde, Soeiro Fafes, que só tinha uma filha, fez testamento. Como esta é que há-de ter herdado Cavaleiros, deve ter trazido para a casa outro apelido (masculino); mas ainda não foi o de Ferreira, pois esse não consta das Inquirições. Pelo contrário, ainda nelas há memória de D. Fafia Guterres, falecido um século antes. PUBLICADA POR JOSÉ FERREIRA EM 11:10 0 COMENTÁRIOS A FREGUESIA DO OUTEIRO MAIOR 1 Localização e caracterização O Outeiro Maior fica a norte do rio Ave, no extremo nascente do município de Vila do Conde. Confina já com a Póvoa de Varzim, através de Balasar, e com V.N. de Famalicão, através de Fradelos. Confronta ainda com as freguesias vila-condenses de Parada, pelo sul, e Bagunte, pelo poente e norte. O monte da Cividade de Bagunte desce em declive para esta freguesia. Na origem, a Casa de Cavaleiros teve certamente alguma relação com a Citânia, mesmo que isso se não possa hoje documentar.   Uma colina quase divide a freguesia em duas. Tempo houve em que efetivamente a dividiu, ficando Santo Gido para nascente dela e S. Martinho para poente. O lugar de Santo Gido que é atravessado pelo ribeiro dos Peixes, limita Balasar e com Fradelos; na extrema com Balasar fica o Monte de Lobos. Os ribeiros de Quintandura e de Gacins, que descem dos lados da Cividade, delimitam a pequena elevação de terreno – o outeiro – de que derivou o nome da freguesia. Afora a colina que separa S. Gido do resto da freguesia, é ela constituída por veigas férteis e pinhais. O Outeiro Maior é atravessado por uma estrada antiga que vem de Bagunte e que segue depois em direção a Balasar; uma outra, recente, vai para Parada e para a estrada que vem de Vila do Conde para Famalicão. A freguesia tem os seguintes lugares habitados: Igreja (que corresponderá ao antigo Outeiro), Quintandura, Fornelos, Souto, Santo Gido, Fontelheiros, Pedaço, Aldeia Nova, Friães e Estivada. O Outeiro Maior tem ainda hoje uma componente agrícola muito forte, orientada para a produção de leite e criação de gado, o que impõe a cultura do milho para ensilar e a produção de forragens. A produção de vinho é atualmente pouco significativa, como é também reduzida a atividade industrial. Mas isto não tem impedido a freguesia de se adaptar aos novos tempos. Outeiro Maior O nome original da freguesia foi S. Martinho do Outeiro, como vem no Censual do Bispo D. Pedro, de cerca de 1080. Chegou a ser conhecida por outros nomes, mas este resistiu até tempos recentes, como se verifica no “frontão” da Escola local ou no do Cemitério. A forma Outeiro Maior já ocorre na primeira ata da Junta, em 1838.   A palavra outeiro deriva de altarium (alterio> auterio> outeiro) e e origina-se de altar, isto é, evoca colinas sagradas, paganismos muito antigos. Foi desta acepção que veio o nome à freguesia. A igreja velha foi erguida na área onde ficou noutros tempos a vila do Outeiro e onde até recentemente se identificava o lugar do Outeiro. Este nome remete para uma ligeira elevação de terreno delimitada por duas linhas de água: o ribeiro de Quintandura, que vem de Cavaleiros, passa entre a escola e a igreja nova e vai depois por junto de Friães, e o ribeiro de Gacins, que vem de onde foi Gacins, passa abaixo do cemitério e se junta mais adiante ao anterior.   A origem do comparativo «maior» é mais difícil de estabelecer. Se o outeiro onde se construiu a igreja era maior, onde estava o menor? Sabemos que na toponímia nacional existem outros nomes de terras onde entra a forma maior: Rio Maior, Campo Maior, Montemor… As vilas do Outeiro Maior A palavra vila, entre os Romanos, designava o que chamaríamos hoje uma quinta, mas uma grande quinta, com as suas amplas instalações, com o seu vilar ou feitor, com os seus muitos escravos. Pelos séculos X a XIII, cá no Norte de Portugal, vila podia significar a vila urbana, como atualmente, mas também a vila rústica, uma farta casa de lavoura.   Fonte: José Ferreira. Pesquisa e Edição: Luiz Carlos Amaral (Secretário de Cultura de Cantanhede-MA).

 

ESPECIAL DE DOMINGO: LAIS NETTO DOS REYS

O Especial deste domingo abre uma justa janela para referendar uma das mais importantes personalidades da saúde brasileira, Lais Netto dos Reys – a enfermeira dos céus. Lais lutou com toda determinação para a enfermagem ter o lado profissional. Oriunda de mais tradicionais famílias fluminenses, Lais tem laços com Cantanhede e exemplo de lealdade, companheirismo e vocação. A religiosidade foi uma constante na sua atuação profissional  Nos últimos anos do século XIX, em Resende (RJ), nasceu Laís. Teve a sorte de pertencer a uma tradicional família fluminense que, ao contrario dos costumes vigentes, lhe deu a oportunidade de estudar. Freqüentou o Primário na sua terra natal e a Escola Normal no Rio de Janeiro. Nessa ocasião teve conhecimento da nova Escola de Enfermagem, Anna Nery dirigida por enfermeiras americanas, e logo se candidatou para cursá-la fazendo parte da primeira turma que se graduou em 1925. Por seu excelente aproveitamento no referido curso foi distinguida com uma bolsa de estudos para freqüentar, no Hospital Geral de Filadélfia (USA), o Serviço de Doenças Contagiosas e o Serviço de Saúde Pública. Ao retornar ao Brasil foi designada para a chefia do Centro de Saúde de Inhaúma no Rio de Janeiro, bairro pobre e de operários. Sua atuação foi muito eficiente segundo o relatório do Dr. Clementino Fraga, diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP) em 1927. Em 1928 Lais teve oportunidade de visitar diversas escolas de enfermagem e hospitais da Europa e cursou Psicologia e Pedagogia na Sorbone e na Universidade Católica de Paris. No ano seguinte foi nomeada Enfermeira Chefe na Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) e lá permaneceu até ser posta à disposição da Secretaria de Educação e Saúde Pública de São Paulo com a finalidade de organizar o Serviço desse setor (1930). Dois anos depois foi convidada pelo Governo de Minas Gerais para organizar a Escola de Enfermagem Carlos Chagas, em Belo Horizonte, a primeira a ser instalada fora do Rio de Janeiro e a admitir a matrícula de religiosas no seu curso. Começou, então, se evidenciar a postura diferente das alas católicas e as de orientação americana, postura essa que vai se firmar durante o período do Estado Novo. A era Vargas se caracteriza por um acerbado nacionalismo e utiliza a força da Igreja para atingir seus fins. A trajetória profissional de Laís, em grande parte, se desenvolveu nessa época quando o campo de atuação das mulheres se restringia predominantemente na extensão de papeis desempenhados no lar: parteira, professora e enfermeira. Era esse também o ponto de vista da Igreja e Lais, profundamente católica, associava aos ensinamentos profissionais de enfermeira a visão religiosa, pois atribuía à enfermagem uma função social, religiosa e patriota. Preocupada com a deficiência numérica de enfermeiras causada, especialmente, pelo fato de seu preparo ser dispendioso e demorado, Lais teve a idéia de formar auxiliares de enfermagem e sugeriu que fossem criados cursos regulares, de curta duração, permitindo, assim, preparar pessoal em larga escala para a assistência direta aos internados em hospitais. Essa iniciativa consta no Regimento da Escola de Enfermagem Carlos Chagas (1934, mas só se tornou realidade em 1941). Durante sua gestão em Minas Gerais, todos os anos, participava em Viçosa do Mês Feminino que tinha por objetivo divulgar a enfermagem. Lais deixou Belo Horizonte, em 1938, ao ser nomeada para exercer, em Comissão, o cargo de Diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery, no Rio de Janeiro. As duas candidatas seguiam orientações que se opunham. De um lado Lais, católica e de acordo com a política governamental e, de outro, Zaira seguidora dos passos da Missão Parsons que, entre outras coisas, advogava um espaço maior para as mulheres garantindo-lhes o direito ao exercício de atividades até então tradicionalmente masculinas. Ganhou Lais que nele permaneceu até o ano de 1950 quando se licenciou por motivo de doença. Sob sua direção a Escola ganhou um ar menos formal. No Salão de Festas da Escola eram realizadas palestras de caráter científico, formaturas, a “Hora da Família” e até reuniões dançantes (quando as alunas podiam convidar rapazes e parentes), contando sempre com a presença da Diretora. Desses acontecimentos, lembra uma aluna, no ultimo ano de nossa turma, 1945, fizemos uma festa junina com fogueira e fogos e, até D. Lais, usou roupa típica, isto é, traje longo de chita. Em 1939 participou da Comissão de Legislação, juntamente com Zulema de Castro, Edith Magalhães Fraenkel e Hilda Krisch então Presidente da Associação. Até 1948, essa comissão tinha por objetivo cuidar da resolução dos problemas de natureza legislativa. A luta em defesa da classe foi uma constante, pois o Ministério do Trabalho continuava nomeando leigos para os Serviços de Saúde. Entretanto, Laís estava mais ligada aos assuntos das Comissões de Educação, especialmente aqueles que se referiam a Auxiliares de Enfermagem. Desde 1926 até 41 a Escola de Enfermagem Anna Nery abrigou a sede de Associação e Laís, ao tornar-se Diretora, sabedora das dificuldades financeiras da Associação Brasileira de Enfermeiras Diplomadas (ABED), ofereceu duas excelentes salas no edifício da Residência da Escola para a instalação das sedes da Associação e do Jornal. O Presidente Getúlio Vargas, por decreto, criou o Dia do Enfermeiro estabelecendo que se prestasse homenagem a esse profissional em todas as Escolas de Enfermagem e Hospitais (1938). Dois anos depois, Lais idealizou a Semana da Enfermeira para comemorar a partir da data de nascimento de Florence Nightingale (12 de maio de 1830) e com término no dia 20, data do falecimento de Anna Nery. Na abertura da primeira Semana Lais ao discursar salientou os objetivos gerais das comemorações que foram os seguintes: honrar Florence Nightingale e Anna Nery; estimular as enfermeiras na procura do aperfeiçoamento dos serviços de Enfermagem, recordando os ideais e os ensinamentos daqueles que as precederam na profissão; facilitar o encontro de diretoras de escolas e tornar possível o contato dessas com autoridades da administração pública, com profissionais do ramo da saúde e com pessoas interessadas nos problemas da Enfermagem. No ano seguinte, novamente Laís organizou e comemorou a segunda Semana da Enfermeira na Escola de Enfermagem Anna Nery. Convidou diretoras de escolas de outros estados e, nessa ocasião, os objetivos da Semana foram definidos e considerados, pelas convidadas, como muito importantes. A partir desse encontro a Semana da Enfermeira foi também adotada pelos outros estados do Brasil. Gradativamente a idéia foi adquirindo novos adeptos e, em 1958, a assembléia geral aprovou a recomendação das comissões permanentes e seções da ABEn (novo nome da ABED) para que se criasse, por ato oficial, a Semana da Enfermagem ao invés de Semana da Enfermeira. A mudança do nome daria mais amplitude ao evento e contribuiria para a união de todos aqueles que formam a equipe de enfermagem e militam nos serviços de saúde. Os primeiros Congressos Internacionais de Enfermagem foram, inicialmente, patrocinados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mas, a partir do VI, foram organizados e patrocinados pelas associações nacionais. O primeiro aconteceu no Chile e o segundo, deveria ser no Brasil. De acordo com a reunião realizada em 1943 – Laís teria o encargo de organizá-lo. Entretanto, foi transferido para depois da II Guerra Mundial. Lais sempre se dispôs a auxiliar a ABED nas suas constantes dificuldades financeiras, mas nem sempre suas idéias eram aceitas. Quando a Associação das Antigas Alunas da Escola de Enfermagem Anna Nery foi criada em 1944, ela propôs sua inclusão na ABED e que o assunto fosse resolvido imediatamente. Edith M. Fraenkel. não concordou e nomeou uma comissão que tratasse do caso. Entretanto, o assunto não voltou a ser discutido. Em 1946, a Escola Anna de Enfermagem Nery passou a integrar a Universidade Federal do Rio de Janeiro, como as demais instituições e unidades. Participou, como vice-presidente da Divisão de Educação, de uma reunião com os membros da diretoria na qual foi concluído, por reconhecimento unânime, da necessidade premente de cursos para a formação de enfermeiras chefes e instrutoras (Carvalho – p. 125). Como Diretora da Escola de Enfermagem Anna Nery (1938 -1950) e vice-presidente da Divisão de Educação da ABED, Laís teve oportunidade de criar o curso formal de Auxiliar de Enfermagem por ela idealizado em anos anteriores. Em 1948, à Divisão de Educação da ABED coube estudar o projeto de Lei nº 92 A/48 que dispunha sobre o ensino de enfermagem e propor as emendas julgadas necessárias, assim como organizar o currículo mínimo e determinar o regime escolar dos cursos previstos que, futuramente, deveriam constar do regulamento da Lei. A Comissão de Currículo da Divisão de Educação ficou responsabilizada pelo estudo e Laís encarregada da presidência da referida Comissão. Um assunto polêmico teve lugar em 1949 quando Edith M. Fraenkel apresentou o relatório da reunião do Conselho Internacional de Enfermeiras (CIN) realizada na Suécia e Waleska Paixão questionou a emenda à redação do artigo 6º do “Esquema dos Direitos Humanos”, da Organização Mundial de Saúde (OMS) sugerida por enfermeiras brasileiras que, na ocasião estavam na Europa, e enviadas à Organização das Nações Unidas (ONU) por intermédio do International Council of Nursing (ICN). Alegava, ainda, que essa emenda não representava o modo de pensar das enfermeiras brasileiras, pois não tinham sido consultadas. Quem mais se revoltou com o teor dessa emenda foi Laís que chegou a sugerir que a ABED se desligasse do (CIN) . Foi constituída uma comissão especial, sob a presidência de Waleska Paixão, para estudar a questão e enviar à ONU uma nota explicativa sobre o acontecido e a nova emenda que representava o pensamento das associadas. No V Congresso Nacional de Enfermagem (1951) novamente debateram a questão, entretanto Laís não mais estava presente, pois falecera no dia 3 de julho de 1950. Outro trabalho que ela não viu pronto foi o referente a Lei nº 92A/48 pois só aconteceu sob a presidência de Maria Rosa Pinheiro de Souza, sua sucessora na referida Comissão de Currículo da Divisão de Educação. Toda sua maneira de ser era de cordialidade e acentuada habilidade política que lhe garantia boas relações na Escola e com representantes da Igreja e do Estado. As pessoas que com ela conviveram, segundo Cecília Pecego Coelho, assim a definiam: Nela estavam aliadas as qualidades de grande dama e de enfermeira.... Com seu desaparecimento perdeu a enfermagem do Brasil um dos mais altos expoentes; na lembrança das enfermeiras brasileiras ficará para sempre a imagem de D. Laís como exemplo de competência, dedicação e bondade. O relato de suas realizações justifica plenamente sua inclusão entre as pioneiras. Homenagens: 1957 – Homenagem póstuma - Bolsa de Estudo Laís Netto dos Reys; Waleska Paixão, convidada a falar, no encerramento da Semana da Enfermagem, usando como tema o Ano Internacional da Mulher (1975) prestou homenagem a Ana Néri e a Laís Netto dos Reys. Desta, assim se expressou: “Convidada a assumir a direção da Escola Ana Néri, em 1938, conseguiu fazê-la aceita pela Universidade do Brasil, abrindo, assim, o caminho para as demais. Morreu no cargo de diretora, no qual se dedicou sem limites, até o fim de suas forças. Foi dela a idéia de uma Semana de Enfermagem e suas primeiras realizações.” Fonte: Pesquisa e Edição: Luiz Carlos Amaral – Secretário Municipal de Cantanhede – MA.

 

ESPECIAL DE DOMINGO: A SELEÇÃO QUE ENCANTOU O MARANHÃO VIROU PIZZA

Em 1982, o Maranhão recebeu em maio as estrelas, Zico, Falcão e Sócrates, para um amistoso contra a Seleção se Portugal, como parte da inauguração do Castelão. O Maranhão teve o privilegio de receber uma constelação que fazia espetáculo, mas no momento decisivo um italiano chamado Paulo (Paolo) Rossi fez o time canarinho virar pizza. O Especial deste domingo abre as portas para reviver os maestros de 82. A Copa do Mundo de 1982 foi a 12ª edição disputada, e contou pela primeira vez com 24 (vinte e quatro) seleções, entre elas várias estreantes. 105 países participaram das eliminatórias. O campeonato ocorreu na Espanha. A Copa do Mundo da Espanha, em 1982, foi marcada pelo futebol ofensivo e criativo da Seleção Brasileira comandada por Telê Santana. Mas quem ficou com o título, e eliminou os brasileiros, foi a Itália. Na primeira fase, a Itália, após três empates, se classificou no número de gols marcados. Seus jogadores, criticados pela imprensa italiana, decidiram fazer greve de silêncio e não conversaram mais com os jornalistas. A Seleção Brasileira de Futebol, liderada por Telê Santana, chegou à Europa com um conjunto de talentos que conquistou a Espanha e encantou o mundo. O Brasil passou por cima de todos os adversários na primeira fase e se classificou como maior favorito ao título. Na segunda fase, estreou com vitória sobre os argentinos e foi para o jogo contra os italianos precisando apenas de um empate. A vitória por 3 a 2 da Itália, com três gols de Paolo Rossi, que acabou como artilheiro do torneio com seis, eliminou os brasileiros. A Itália avançou, eliminou a sensação da Copa, a Polônia, na semifinal, por 2 a 0, e, na final, bateu a Alemanha Ocidental, Santiago Bernabéu, por 3 a 1, igualando-se ao Brasil como tricampeão mundial. O Mundial também registrou a maior goleada da história da competição. A Hungria aplicou 10 a 1 sobre El Salvador. Na primeira fase, a zebra ficou por conta da Argélia, que venceu a vice-campeã Alemanha Ocidental por 2 a 1. Quem estreou em uma Copa do Mundo foi Diego Maradona, mas não conseguiu levar sua seleção muito adiante. Outras grandes seleções marcaram presença na Espanha. A França de Michel Platini, Jean Tigana, Dominique Rocheteau e Didier Six; aAlemanha de Karl-Heinz Rummenigge, Manfred Kaltz, Pierre Littbarski e Paul Breitner. A Argentina, campeã mundial, decepcionou. Os portenhos fizeram o jogo de abertura da copa contra a Bélgica e perderam por 1 a 0. Classificaram-se em segundo lugar no grupo após vencerem a Hungria e El Salvador. Mas na segunda fase foram derrotados pela Itália por 2 a 1 e pelo Brasil, que vingava 1978 por 3 a 1, numa demonstração de força do time de Telê. A Alemanha sofreu uma derrota surpreendente contra a Argélia na estréia por 2 a 1. Goleou o Chile e venceu sua "irmã", a Áustria, por 1 a 0, no chamado "jogo da vergonha". Os argelinos, brilhantes, derrotaram o Chile por 3 a 2 mas não passaram à segunda fase, devido a esta vitória alemã. A França perdeu por 3 a 1 da Inglaterra na estréia, mas mesmo com uma campanha irregular conseguiu a classificação. Empatou com a Tchecoslováquia e ganhou do Kuwait por 4 a 1. Já o Brasil, grande favorito ao título, estreou contra a URSS. Um jogo complicadíssimo. Os soviéticos fizeram 1 a 0 numa falha de Waldir Peres. A seleção errou muito, principalmente no sistema defensivo e o juiz deixou de dar 2 pênaltis claros para os soviéticos. No segundo tempo o Brasil colocou os nervos no lugar e o gênio de Sócrates explodiu no gol de empate. Aos 43 minutos, Éder Aleixo dispara no ângulo de Rinat Dasayev: Brasil 2 a 1. A equipe de Telê então venceu a Escócia, de virada de novo, por 4 a 1. Zico brilhou com um bonito gol de falta. Contra a Nova Zelândia a seleção canarinho novamente venceu por goleada, 4 a 0. Na segunda fase o Brasil enfrentaria Argentina e Itália. Primeiramente, o Brasil bateu a Argentina por 3 a 1, num jogo em que a imagem de Júnior sambando à beira do campo após marcar um dos gols canarinhos tornou-se emblemática. A Itália jogou 3 jogos péssimos na primeira fase, empatando com Peru, Camarões e Polônia, e só se classificou por ter mais gols marcados. Na 2ª fase a mística da Azzurra incendiou a equipe, que disparou rumo ao tricampeonato. Na 2ª fase a Itália venceu a Argentina por 2 a 1, o Brasil por 3 a 2, nas semifinais a Polônia por 2 a 0, chegando à finalíssima da copa. Mas antes, um adendo sobre aquele que ficou conhecido como a "Tragédia do Sarriá". Brasil e Itália se enfrentavam pelo segundo jogo da segunda fase. Como a Itália havia vencido a Argentina por 2 x 1, e o Brasil por 3 x 1, a seleção canarinho, super favorita ao título, tinha a vantagem do empate. Mero protocolo…o Brasil iria vencer o jogo fácil, fácil, afinal, a Itália só havia vencido um jogo na copa, enquanto o Brasil era o único com aproveitamento de 100%. Começa o jogo. Logo aos 5 minutos cruzamento da esquerda e cabeceio de Paolo Rossi, com a defesa brasileira olhando, assistindo a cabeçada do italiano, 1 x 0. O Brasil não se intimida. Zico se livra de Gentile e toca brilhantemente para Sócrates. O Doutor invade a área e chuta forte, cruzado, 1 x 1. O jogo é parelho. A Itália marca forte a saída de bola do Brasil, e força o erro da seleção. Toninho Cerezo faz um toque lateral, Falcão e Luisinho esperam um pelo outro, e ele, Paolo Rossi não espera por ninguém, dispara toma a bola e solta a bomba, 2 x 1. O Brasil tem todo o segundo tempo para empatar e se classificar, afinal, é no segundo tempo que o time de Telê dava um show de bola nos adversários. Bola com Júnior que toca para Falcão na entrada da área, Toninho Cerezo faz a ultrapassagem iludindo a defesa italiana que o acompanha, abre-se a brecha de onde Falcão solta a bomba, 2 x 2, era a classificação do Brasil. Mas não era isso que desejavam os Deuses do Futebol. Escanteio "que não foi" marcado para a Itália. Todo o time do Brasil dentro da área, e na sobra, a bola, ingrata, acha ele, Paolo Rossi, que desvia sua trajetória e mata Waldir Perez, 3 x 2. O Brasil ainda tem uma última chance, mas Zoff faz uma defesa espetacular em uma cabeçada certeira de Oscar. Fim do drama. Itália 3 x Brasil 2. Um derrota que jamais fora esquecida. A Alemanha passou à final após uma vitória épica contra a França de Platini. No tempo normal, 1 a 1. Na prorrogação, a França chega a fazer 3 a 1. Mas, os alemães, liderados por Rummenigge, buscaram o resultado e empataram o jogo em 7 minutos, numa das mais espetaculares reações de todos os tempos. Na primeira decisão por pênaltis da história, deu Alemanha. O lado lamentável foi a covarde agressão que o goleiro alemão, Harald Schumacher, cometeu sobre o atacante francês Patrick Battiston, que caiu no chão sem sentidos, o que fez muitos acreditarem que ele tinha morrido. Grande Final da Copa. Estádio Santiago Bernabeu em Madrid. Clássico europeu, Itália vs Alemanha Ocidental. Só que aquilo que era para ser um clássico virou um passeio à italiana. A "Azurra" passeou em campo, e embalada pelas vitórias sobre Argentina, campeã do mundo, e Brasil, favorito ao título, não tomou conhecimento da Alemanha. Final do 1º tempo e o jogo já estava decidido 3 x 0. A Alemanha ainda descontou mas já era tarde para mais uma reação do time germânico. Final Itália 3 x Alemanha 1. Paolo Rossi o carrasco brasileiro com 3 gols no jogo, ainda marcou mais 1 na final e foi o artilheiro da Copa de 1982. A Itália sagrava-se tricampeã, igualando-se ao Brasil, que foi brilhante, mas não levou o título. Edição e Pesquisa: Luiz Carlos Amaral – Secretário de Cultura de Cantanhede-MA.

 

ESPECIAL DE DOMINGO: A COPA DO MUNDO DE 70 FOI NO PIAUÍ

A Copa do Mundo de 1970 foi no Piauí, pelo menos, para os maranhenses, que se arriscaram em uma viagem, para assistir à final da competição ao vivo pela televisão. No final dos anos 60 e início dos anos 70, o Brasil ainda não conseguia cobrir toda a federação com o sinal de televisão via embratel. As torres de transmissão estavam sendo construídas e o link que partia do Rio de Janeiro não chegava a São Luís, Cantanhede e ao Maranhão. A alternativa para o atraso tecnológico foi botar o frito (lanche típico da época para longas viagens na mala do carro), enfrentar mais de 400 km de estrada e calor infernal, atravessar o rio Parnaíba, por meio da antiga ponte da REFESA e chegar à cidade de Teresina, capital do Piauí. De São Luís e de outros tantos municípios do Maranhão partiram várias caravanas. Um grupo de apaixonados por futebol, partiu de Cantanhede, liderado pelo então prefeito da época, Cidinho Amaral e rumou à Teresina, para assistir à final da copa, no dia 21 de junho de 1970, ainda em preto e branco e com direito a uma casquinha, que os piauienses tiraram dos maranhenses que chegavam à capital do estado. Várias faixas espalhadas pela cidade diziam: “Maranhenses – Bem-vindos ao México”, uma provocação, que nos dias de hoje, com transmissão via satélite, imagem em cores, sinal digital e televisão de LED figura com história de pescador. A caravana de Cantanhede era composta por 10 pessoas, entre eles: Cidinho Amaral (Prefeito), Celso Fiquene (Coletor de Impostos), Onildo Pereira da Silva (Secretário da JSM), Raimundo Araújo (motorista), Hildemar Batista de Sousa (Secretário de Administração), Leôncio Caldas (Vereador), Lúcio Correa da Silva (funcionário da prefeitura), Justino Veras (Timba), João Baima (Vereador), Raul Lima (funcionário público) e Raimundo José Amaral (12 anos). O “confortável” transporte da viagem, dois carros modelo rural, uma azul (ano 1968) e outra azul e branca (ano 1970).  Os mochileiros da época saíram de Cantanhede, por volta das 07h00 da manhã e chegaram à Teresina na hora do almoço, onde em uma churrascaria, da Avenida Maranhão assistiram ao jogo. A caravana cantanhedense retornou à cidade de Cantanhede, por volta das 17h00 e ainda chegou a tempo de assistir ao vídeo tape da final, às 22h00, por meio do sinal da TV Difusora, canal 4 de São Luís, que chegava à Cantanhede, por meio de uma torre localizada no povoado Cigana. Outro fator curioso é de que em Cantanhede só havia um aparelho de televisão e a energia elétrica era fornecida por um pequeno gerador, que teve de funcionar até mais tarde neste dia. A aventura até que valeu a pena, pois o Brasil de Pelé, Tostão, Jairzinho e companhia, de forma magestral goleou a seleção da Itália por 4 a 1 e tornou-se tricampeã do mundo. O Especial de Domingo deste 20 de junho de 2010, volta 40 anos no tempo, para homenagear os conquistadores da copa e os maranhenses que invadiram o Piauí.   Copa do Mundo de 1970 A Copa do Mundo FIFA de 1970, a nona edição do torneio, foi disputada no México, de31 de Maio até 21 de Junho. O México foi escolhido como sede pela FIFA em outubro de1964. O torneio de 1970 foi a primeira Copa do Mundo disputada na América do Norte, e a primeira disputada fora da América do Sul e da Europa. Num encontro de equipes que já haviam vencido a Copa duas vezes, a final foi vencida pelo Brasil, que bateu a Itália por 4 a 1. Isto significa que o Brasil se tornou a primeira equipe a ter o título de campeão mundial por três vezes e foi permitido a posse definitiva da Taça Jules Rimet. A seleção brasileira, que tinha Pelé (que estava em sua quarta e última Copa do Mundo), Carlos Alberto Torres, Clodoaldo, Gérson, Jairzinho, Rivellino e Tostão, é tida como uma das mais eficientes equipes na história das Copas. Neste torneio foi possível observar um retorno ao jogo solto e ofensivo em oposição às batalhas físicas das Copas de 1962 e1966. Eliminatórias Um total de 75 times se inscreveram para as Eliminatórias. Notáveis equipes como Portugal, França,Hungria, Argentina e Espanha falharam em obter a classificação. Enquanto isso, o Marrocos tornou-se a primeira seleção africana a participar das finais da Copa desde a Segunda Guerra Mundial. Fase Final Primeira fase A Copa de 1970 foi, como de costume, precedida por disputas sobre sua organização. Esta Copa foi a primeira a ser televisionada em cores. Porém, para que as transmissões se encaixassem melhor nas programações da televisão européia, algumas partidas começaram ao meio-dia. Esta foi uma decisão impopular entre muitos jogadores e treinadores por causa do intenso calor no México neste período do dia. O formato da competição permaneceu o mesmo da Copa anterior: 16 equipes classificadas, divididas em quatro grupos com quatro que se enfrentariam em turno único. Os dois primeiros colocados classificar-se-iam às quartas-de-final. Porém, pela primeira vez nas Copas, o critério de desempate em no caso de igualdade de pontos na fase de grupos era o saldo de gols (e não mais jogos-desempate e goal average) e se dois ou mais times tivessem o mesmo saldo de gols, o desempate se daria por sorteio. Se uma partida das quartas ou das semifinais resultasse num empate após a prorrogação também haveria sorteio para definir a equipe classificada. Pela primeira vez, substituições foram permitidas em Copas do Mundo. Cada time poderia fazer duas alterações durante o jogo. A União Soviética foi o primeiro time a se utilizar do expediente contra o México na partida de abertura. Viktor Serebryanikov foi o primeiro jogador a ser substituído, pois Anatoly Puzach entrou em seu lugar após os 45 minutos iniciais. Esta Copa também foi a primeira a apresentar o uso dos cartões amarelo e vermelho para advertências e expulsões respectivamente (note que as advertências e expulsões já existiam antes de 1970). Cinco cartões amarelos foram mostrados na partida de abertura entre México e URSS, enquanto nenhum cartão vermelho foi mostrado em todo o torneio. A controvérsia cercou a Copa antes mesmo que uma bola fosse chutada. Bobby Moore, capitão da seleção inglesa foi acusado de roubo a uma joalheria, e subseqüentemente preso, na Colômbia, onde o time fazia um amistoso pré-Copa. Ele foi solto temporariamente para poder jogar a Copa, e depois as acusações foram discretamente retiradas. No Grupo 1, os donos da casa não decepcionaram sua torcida e se classificaram junto com a União Soviética, ainda que houvesse algumas controvérsias nas vitórias mexicanas de 1 a 0 sobre a Bélgica e de 4 a 0 sobre El Salvador. O Grupo 2 apresentou exatos seis gols em seis jogos com Itália, atual campeã européia, e Uruguai, atual campeão sul-americano, prevalecendo sobre Suécia e a surpreendente seleção de Israel após uma série de partidas pouco empolgantes. Desse grupo porém acabaria saindo dois dos quatro semi-finalistas. Os primeiros grandes momentos desta memorável Copa do Mundo ocorreram no Grupo 3, no qual o bicampeão Brasil e a defensora do título, Inglaterra se somaram as fortes equipes européias da Tchecoslováquia e Romênia. Na revanche da final da Copa de 1962, os brasileiros começaram perdendo para os tchecoslovacos, mas conseguiram reagir e acabaram por vencer a partida por 4 gols a 1. Pelé marcou um dos gols, mas o lance dele que ficaria marcado para sempre nesta partida foi a tentativa efetuada do meio de campo que quase bateu o goleiro Ivo Viktor, a bola passou rente a trave. O choque de campeões entre a seleção canarinho e o English Team atendeu às expectativas. O lance mais célebre desta partida foi a forte cabeçada para o chão de Pelé que não atingiu o gol por conta de uma impressionante defesa de Gordon Banks, que conseguiu colocar sua mão por baixo da bola e mandá-la por cima do travessão. No fim, foi um gol de Jairzinho que sacramentou a vitória dos brasileiros pela contagem mínima. Na última rodada, a Romênia impôs dificuldades ao Brasil, mas o time de Zagallo acabou vencendo por 3 a 2. A Inglaterra também passou à segunda fase, batendo romenos e tchecoslovacos pela contagem mínima. No Grupo 4, o Peru e saiu no estilo ofensivoe conseguiu uma importante vitória contra a Bulgária por 3 a 2, após estar perdendo de 2 a 0 no intervalo. Marrocos começou bem sua primeira partida contra a Alemanha Ocidental, saindo na frente. Mas os alemães conseguiram a virada por 2 a 1. Os alemães também começaram atrás contra os búlgaros, mas um hat-trick de Gerd Muller ajudou na virada, que acabou em 5 a 2. Muller marcou mais um hat-trick na última rodada com placar de 3 a 1 dos alemães contra os peruanos. No fim, o Peru acabou avançando junto com a Alemanha Ocidental, pois havia vencido Marrocos por 3 a 0, com três gols em 11 minutos. Segunda fase Nas quartas-de-final uma transformada Itália bateu o México por 4 a 1, de virada. Os donos da casa saíram na frente com um gol de José Gonzales, mas Gustavo Pena marcaria um gol contra empatando a partida antes do intervalo. A Itália dominou o segundo tempo. Dois gols de Luigi Riva e um de Gianni Rivera trouxeram o jogo ao seu placar final. Em Guadalajara, o caminho do Peru acabaria com a derrota de 4 a 2 para o Brasil após uma partida que demonstrou dois times ofensivos. A partida entre Uruguai e União Soviética permaneceu sem gols até cinco minutos antes do fim da prorrogação, quando Victor Espárrago conseguiu arrancar um gol e classificando os sul-americanos. A última quarta-de-final foi uma revanche da final da Copa anterior entre Inglaterra e Alemanha Ocidental, produziu uma das grandes partidas da história da Copa do Mundo. A Inglaterra sofreu um duro golpe antes do jogo, quando Gordon Banks sofreu severas dores de estômago. Seu reserva Peter Bonetti assumiu a posição, e no começo do segundo tempo os ingleses lideravam por 2 a 0 e o jogo aparentava já estar decidido. Porém, a Alemanha marcou com Franz Beckenbauer no minuto 68. Em pânico, o técnico inglês Alf Ramsey decidiu substituir Bobby Charlton. Sem Charlton, a Inglaterra não conseguia mais se firmar na partida e não conseguia conter os incessantes ataques alemães. A oito minutos do fim, Uwe Seeler cabeceou para marcar o gol de empate. A Alemanha Ocidental agora era a dona do jogo e, na prorrogação, com um erro de Bonetti, Gerd Muller marcou o gol da vitória, impossibilitando a defesa do título por parte dos ingleses. As semifinais apresentaram quatro times que já haviam vencido a Copa no passado: Brasil vs. Uruguai, numa revanche da partida final da Copa de 1950, e Itália vs. Alemanha Ocidental. No jogo entre os sul-americanos, o Brasil conseguiu bater o Uruguai por 3 a 1 de virada. Esta partida apresentou mais um brilhante lance de Pelé: com a posse de bola dentro da área, ele conseguiu ficar frente a frente com Ladislao Mazurkiewicz e, sem tocar a bola, ela passou à esquerda do goleiro, Pelé correu para o lado direito, pegando a bola com o gol vazio a sua frente. O zagueiro Ancheta não conseguiu tirar a bola, mas Pelé não conseguiu marcar por muito pouco. A semifinal composta pelos europeus é tida por muitos como o melhor jogo da história das Copas do Mundo. A Itália saiu na frente aos 8 minutos com um gol de Roberto Boninsegna após uma bela jogada de "um-dois" com Luigi Riva. A Alemanha Ocidental pressionou em busca do empate pelo resto do jogo, até o final quando Karl-Heinz Schnellinger, que jogava na equipe italiana do AC Milan, marcou o gol de empate nos acréscimos. Naprorrogação, Gerd Muller virou a partida para os alemães no minuto 94. E Tarcisio Burgnich empatou novamente. No minuto 104, Riva marcou o terceiro gol italiano sob a meta de Sepp Maier, mas Muller uma vez mais marcaria, seis minutos depois. A direção de TV ainda estava mostrando a repetição desse gol quando o meio-campista italiano Gianni Rivera, desmarcado perto da marca do pênalti, voleou um belo cruzamento de Boninsegna para o gol da vitória no minuto 111. Franz Beckenbauer jogou parte da partida com uma clavícula quebrada após tentar simular uma falta na prorrogação. Como Helmut Schön, técnico da Alemanha Ocidental, já havia feito as duas substituições permitidas, Beckenbauer ficou com o braço numa tipóia. A partida é tida como o "Jogo do Século", também conhecido como a Partita del Secolo na Itália e Jahrhundertspiel na Alemanha. Um monumento no Estádio Azteca na Cidade do México homenageia o jogo. A Alemanha Ocidental conseguiu o terceiro lugar ao bater o Uruguai por 1 a 0. Final Na final, o Brasil saiu na frente, com Pelé cabeceando um cruzamento de Rivellino no minuto 18. Roberto Boninsegna empatou para os italianos após falha da defesa brasileira. Gérson bateu um forte chute para o segundo gol, e ajudou na marcação do terceiro, com um lançamento de falta para Pelé que cabeceou para Jairzinho. Pelé finalizou sua grande performance saindo da marcação da defesa italiana e assistindo Carlos Alberto Torres no flanco direito para o gol derradeiro. O gol de Carlos Alberto, após uma série de passes da seleção brasileira da esquerda para o centro, é considerado um dos mais belos gols marcados na história do torneio. A vitória consagrou o Brasil como a primeira equipe a conquistar três títulos na história das Copas. Com sua terceira vitória após 1958 e 1962, o Brasil pôde reter a posse da Taça Jules Rimet permanentemente (ironicamente, ela seria roubada em 1983 enquanto estava em exposição no Rio de Janeiro e nunca foi recuperada). O técnico brasileiro Mário Jorge Lobo Zagallo foi o primeiro futebolista a se tornar campeão mundial como jogador (1958 e 1962) e como técnico, e Pelé encerrou sua carreira nas Copas do Mundo como o primeiro (e até agora único) vencedor por três vezes. Jairzinho marcou pelo menos um gol em cada dos seis jogos do Brasil (no primeiro jogo, contra a Tchecoslováquia, ele marcou dois), um feito que até agora não foi repetido. Porém, o artilheiro do torneio foi Gerd Müller, da Alemanha Ocidental, com 10 gols. Müller conseguiu marcar hat-tricks em dois jogos consecutivos, contra a Bulgária e contra o Peru na fase de grupos. Edição e Pesquisa: Luiz Carlos Amaral (Secretário Municipal de Cultura de Cantanhede).

 

ESPECIAL DE DOMINGO: UM RIBAMAR CANHOTEIRO PERDE A VAGA PARA ZAGALO

No primeiro domingo da Copa do Mundo 2010, abrimos o baú e o orgulho, para imaginar as jogadas encantadoras do chamado “Garrinha da Esquerda”. Falamos do Ribamar Canhoteiro, um maranhense da vizinha Coroatá, que na Copa do Mundo de 1958, perdeu a vaga para Zagalo. Medo de avião ou vida boêmia? Em crônica inédita, Ferreira Gullar conta como foi ver um colega de pelada no Maranhão virar um dos grandes ídolos esquecidos do futebol brasileiro. Éramos todos garotos, entre oito e dez anos, e nosso campo de futebol era a área cimentada do Mercado Novo, que ficava em frente à quitanda de meu pai. A pelada era depois das quatro da tarde, quando já tínhamos voltado da escola. Pereba, Carroca, Espírito e eu, também conhecido como Periquito, podíamos ser considerados sofríveis, para não dizer pernas-de-pau. Os dois craques eram Esmagado e Canhoteiro que, aliás, iam no futuro se tornar estrelas do futebol profissional. Mas entre Esmagado e Canhoteiro, havia uma diferença: Canhoteiro era gênio. Sem desfazer do talento de Esmagado, que se tornaria um ídolo do futebol maranhense, a genialidade de Canhoteiro já se revelava, ali, de maneira inequívoca.  Ele era o mais novo do grupo e ainda chupava dedo. Lembro-me bem de sua figura segurando a ponta da camisa e dois dedos, enfiados na boca. Era assim, desse jeito, que ele saía driblando todo mundo, como se a bola ficasse presa em seus pés. Na verdade, o mais comum de seus dribles era correr com a bola (que era pequena, de borracha), batendo no chão e na sola de seu pé esquerdo. Era canhoto e daí ser chamado, já naquela idade, de Canhoteiro. Já àquela altura, eu me metera com a poesia e me mudara para o Rio de Janeiro. Ignorava o destino de Canhoteiro, até ler que ele havia sido convocado para a seleção brasileira. Cheguei a pensar que se tratava de outro jogador com o mesmo apelido, mas, para minha alegria, uma foto ao lado tirava qualquer dúvida: era ele mesmo, meu amigo de infância, que se havia tornado ídolo da torcida são paulina e considerado, por seus dribles endiabrados, o Garrincha do Morumbi.   José Ribamar de Oliveira, conhecido como Canhoteiro (Coroatá, 24 de setembro de1932 — São Paulo,16 de agosto de 1974), foi um futebolista brasileiro. Pelé costuma dizer que o tinha como um de seus dois maiores ídolos, ao lado de Zizinho. Canhoteiro media 1,68 metro e era um ponta esquerda extremamente habilidoso. Era veloz, e seu drible costumava entortar os adversários. Talvez seu único ponto fraco em campo fosse a marcação. É um dos maiores ídolos do São Paulo de todos os tempos e foi também um dos primeiros jogadores de futebol a ter fã-clube organizado. Dizia-se que o que Mané Garrincha fazia na ponta direita, Canhoteiro fazia na esquerda, mas curiosamente nunca jogaram juntos, apesar de terem chegado à seleção brasileira na mesma época.Iguais, em lados diferentes, Garrincha acabou sendo um mito maior, porém Canhoteiro tinha o mesmo espírito brincalhão e galhofeiro. Fazia do futebol uma arte, a arte de divertir o público, se divertir e assombrar os companheiros. Ante a impossibilidade de marcá-lo, os adversários, muitas vezes, se contentavam em admirá-lo, como se fossem também espectadores e não participantes. O maranhense Canhoteiro iniciou sua carreira profissional atuando pelo América de Fortaleza em 1949, chegando pouco depois à seleção cearense.[2] Foi para o São Paulo em abril de 1954, onde se projetou para o futebol, comprado por cem mil cruzeiros. Sua estréia foi contra o Corinthians, time do zagueiro Idário, que foi talvez quem mais sofreu com seus dribles.[2] Canhoteiro chegou para substituir Teixeirinha e foi campeão do Torneio Jarrito, no México em 1955, da Pequena Taça do Mundo, na Venezuela, e Paulista, em 1957, ao lado de Zizinho. Esteve três vezes na seleção brasileira: no Sul-Americano Extra de Lima, na Taça Oswaldo Cruz e na excursão preparatória para a Copa do Mundo de 1958. Ele disputou 415 partidas pelo Tricolor paulista e marcou 103 gols. Tomou parte no jogo de inauguração do Morumbi em 1960, contra o Sporting de Lisboa. Sofreu uma séria contusão em um lance casual com o jogador Homero, do Corinthians. Após a contusão seu futebol não era mais o mesmo. Foi vendido ao futebol mexicano em 1963 para jogar no Nacional e no Toluca. Ficou lá por três anos e voltou para o Brasil, já fora de suas melhores condições físicas[2], para encerrar a carreira no Nacional, de São Paulo, e no Saad, de São Caetano do Sul.   Pela seleção brasileira Canhoteiro participou de dezesseis partidas, marcando apenas um gol, justamente na sua estréia contra o Paraguai no Pacaembu em 17 de novembro de 1955. Supostamente devido ao seu estilo de vida boêmio também por um medo estrondoso de avião, não foi convocado para a Copa do Mundo de 1958 as vésperas do embarque para a Suécia. Para o seu lugar foi chamado Zagallo, Canhoteiro até então era titular absoluto da seleção que disputaria a copa. Depois disso, ele nunca mais foi sequer convocado para defender a seleção brasileira. Edição e Pesquisa: Luiz Carlos Amaral – Secretário de Cultura de Cantanhede-MA.

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A Biblioteca Municipal de Cantanhede teve origem numa doação feita pelo Arcebispo D. João Crisóstomo de Amorim Pessoa, que em testamento deixou à Câmara Municipal 3.000 volumes, conforme refere o ofício camarário dirigido à Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, em 27 de Maio de 1892.

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